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Famílias aumentam a procura por cursos de educação financeira

24 de outubro de 2016

Com a atual situação financeira na qual o país se encontra,
o número de famílias que estão buscando orientação para lidar melhor com as finanças aumentou.

Há quatro meses, a vendedora Carolina Fischer, de 28 anos, decidiu procurar ajuda profissional para planejar sua vida financeira.
"Estava preocupada por que não conseguia guardar dinheiro, por falta de organização", afirma. Ela se matriculou em um curso de educação financeira e levou junto o marido, o também vendedor Celso Alves, de 33 anos. No curso que durou um dia inteiro, o casal recebeu orientações de como gastar de forma consciente, e não fazer compras por impulso. Também aprenderam que é preciso ter metas para poupar.

"Foi importante para mudar a nossa mentalidade em relação ao dinheiro. Ficamos extremamente motivados e já estamos conseguindo poupar cerca de 20% da nossa renda", diz a vendedora, cujo objetivo é comprar uma casa.

Assim como eles, outras famílias estão buscando orientação para lidar melhor com as finanças. Profissionais do setor têm notado um aumento deste segmento nos últimos anos, sobretudo com o agravamento da crise econômica. Segundo a empresa de educação financeira DSOP, esse público aumentou 20% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015.
"Muitas dessas pessoas estão endividadas e sofreram queda na renda", afirma Reinado Domingos, presidente da DSOP e da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros).

Para o planejador financeiro Fabiano Calil, em época de crise é comum que famílias busquem orientação por causa das incertezas em relação ao futuro. "Além disso, percebemos que gerações diferentes começam a buscar relações mais transparentes no que se refere às finanças", diz Calil, que já atendeu grupos de até 30 pessoas, incluindo avós, pais, filhos e netos.

Segundo o educador financeiro Vinicius Azambuja, da empresa Novi, o planejamento financeiro gera mais resultado quando envolve toda a família. "Tem que ter sinergia e transparência para funcionar, porque não adianta um construir e o outro destruir".

Corte nas despesas

Azambuja afirma que eliminar vários gastos supérfluos podem resultar em uma grande economia para as famílias.
O educador financeiro costuma atender muitos casais, como a dona de casa Sheila Centeno, 35, e o gerente de vendas Luciano Centeno, 31.
Eles conseguiram reduzir a conta de energia elétrica e o pacote de TV paga e cortaram um seguro considerado desnecessário, por exemplo. As compras da casa são feitas por Sheila, que se organiza para ir onde é mais barato e aproveitar as promoções.

Com os cortes no orçamento familiar, foi possível reduzir as despesas mensais entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, diz o gerente de vendas. "Nos demos conta de que gastávamos mais do que precisávamos e entrávamos no cheque especial sem a menor necessidade", afirma.

Objetivos

Os principais objetivos do público em relação à orientação financeira são o planejamento de aposentadoria e de investimentos e o gerenciamento de orçamento e dívidas, segundo uma pesquisa realizada em 2015 pelo FPSB (Financial Planning Standards Board), conselho que reúne e supervisiona entidades de planejamento financeiro em 26 países.

Entre os assuntos de interesse do público destacaram-se estar livre de dívidas; estar preparado para uma emergência; comprar a casa própria; planejar a aposentadoria; gerenciar as próprias finanças; e ajudar outras pessoas financeiramente.

Buscar ajuda de pessoas especializadas é uma ótima forma de mudar e melhorar a administração das despesas em família.

Fonte: Folha de S. Paulo