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Um terço dos aposentados acima de 60 anos ainda trabalha, revela pesquisa do SPC Brasil.

27 de setembro de 2016

Três em cada dez idosos chegaram a essa fase da vida sem terem se preparado para a aposentadoria;
pesquisa mostra algumas dificuldades, mas 66% dos idosos têm uma visão positiva sobre a terceira idade.

Além do aumento da expectativa de vida nos últimos anos, um número elevado de brasileiros continua trabalhando mesmo após a aposentadoria. A constatação é de uma pesquisa realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com idosos acima de 60 anos. De acordo com o levantamento, mais de um terço (33,9%) dos idosos que já estão aposentados continuam exercendo alguma atividade profissional. O destaque fica por conta dos profissionais autônomos (17,0%), trabalhadores informais ou que fazem bicos (10,0%) e profissionais liberais (2,1%). Os que ainda atuam como funcionários da iniciativa privada, contudo, são apenas 1,7% do total de entrevistados. Considerando os aposentados que tem entre 60 e 70 anos, o percentual dos que trabalham sobe para 42,3%.

A decisão de seguir trabalhando a esta altura da vida está relacionada, principalmente, à necessidade financeira, embora essa não seja a única razão. A principal justificativa é o complemento da renda, uma vez que a aposentadoria não é o suficiente para pagar as contas (46,9%). Dois em cada dez (23,2%) idosos continuam trabalhando para manter a mente ocupada e 18,7% para se sentirem pessoas mais produtivas na sociedade. Há ainda 9,1% dos idosos que alegaram não ter parado de trabalhar para poder ajudar os familiares financeiramente.

35% chegaram à aposentadoria sem terem se preparado

Um dado preocupante do estudo é que, em certo modo, explica o fato de tantos idosos ainda se sentirem na necessidade de trabalhar, é 35,1% dessa população acima de 60 anos chegaram à terceira idade sem ter se preparado para a aposentadoria.
No caso das mulheres e dos idosos das classes C, D, E, o percentual é ainda maior: 39,5% e 41,5%, respectivamente.

Seis em cada dez idosos entrevistados fizeram algum tipo de preparo e as principais atitudes foram a contribuição compulsória do INSS pela empresa em que trabalhavam e o pagamento do INSS por conta própria. Uma parcela reduzida teve o cuidado de investir na previdência privada. Outros tipos de preparo ainda mencionados, mas com menos intensidade, foram o depósito na poupança e o investimento em imóveis.
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, “É sempre importante lembrar que a contribuição compulsória para o INSS via empresa não pode ser considerada uma preparação suficiente para atravessar a terceira idade sem grandes dificuldades. Contar somente com a previdência pública é algo bastante temerário e que deve ser evitado”, alerta a economista.

A maior parte dos idosos que se prepararam para uma aposentadoria tranquila disse que o fizeram por serem pessoas precavidas. Há ainda aqueles que foram intuitivos e tiveram a iniciativa por conta própria, sem contar com a influência de terceiros e os idosos que se prepararam porque viram casos de pessoas próximas que não tiveram o mesmo cuidado e acabaram passando por momentos difíceis neste estágio da vida.

Maior parte da população acima de 60 anos têm planos para o futuro.

Engana-se quem imagina que nesta fase as pessoas se acomodam e deixam de ter objetivos e sonhos. Os números são altos e impressionam: 89,0% dos idosos garantem ter algum plano para os próximos cinco anos, sendo que os mais desejados são aproveitar a vida ao lado da família e amigos, viajar pelo Brasil, reformar a casa própria, deixar os filhos bem financeiramente e pagar as dívidas. Otimistas, 69,2% dos entrevistados esperam viver mais de 90 anos.

Fonte: SPC Brasil