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Dia do Aposentado: data para homenagear e refletir

24 de janeiro de 2017

Datas comemorativas existem para homenagear algo ou alguém. E hoje, 24 de janeiro, foi o dia escolhido para comemorar o Dia do Aposentado,
mas, além disso, podemos utilizá-la como uma maneira de reflexão sobre a situação dessa parcela da população hoje no Brasil.

Uma pesquisa realizada recentemente revela que apenas 4% dos brasileiros poupam para a aposentadoria. Isso é muito grave, pois as consequências são aposentados que precisam continuar trabalhando para o resto da vida ou que dependem de terceiros para sobreviver. A solução desse problema é a educação financeira, que trabalhará de forma comportamental esse problema.
Em cada 100 brasileiros, só 4 separam recursos para os anos finais, o índice mais baixo das Américas e um dos piores do mundo. Em levantamento de 143 países feito pelo Banco Mundial, só 11 estão abaixo.

A imprevidência atinge até os brasileiros de renda mais alta, e não é uma questão de pobreza: o Brasil perde de nações como Congo, Maláui ou Togo, que têm PIB per capita próximo de US$ 1.000 em paridade de poder de compra, medida que permite melhor comparação entre os países.

A questão é entender que, com esses hábitos, o futuro não é promissor; não haverá como chegar em certa idade e aproveitar a vida ou trabalhar apenas por prazer. É preciso mudar o pensamento, agir de maneira diferente, poupando o quanto antes para obter uma aposentadoria tranquila e sustentável, se manter e viver dignamente.

O estudo do Banco Mundial encontrou forte correlação entre a economia para a velhice e o hábito geral de poupança. Em países asiáticos, onde a maioria das pessoas faz reservas financeiras de forma regular, a porcentagem dos que poupam para os anos finais também é mais alta.

Na Tailândia, 80% da população declara ter poupado algum dinheiro nos 12 meses anteriores. No Brasil, são 28% (o 14º pior índice no mundo).

Executivos do setor atribuem isso à herança do período de inflação descontrolada que durou até os anos 1990. "Há 20 anos, mal era possível planejar para o fim do mês", diz Paulo Valle, vice-presidente da Fenaprevi, federação do setor de previdência privada.
"Não existiam no mercado produtos para a aposentadoria", afirma Flavio Kokis, diretor da Guide Life, uma empresa de planejamento financeiro. Segundo Kokis, 90% das famílias que o procuram não têm reserva financeira.

Claro que o INSS é um direito muito importante do trabalhador, no entanto, depender somente dele para alcançar sua independência financeira não é uma atitude correta, muito menos sensata. Quando chega a hora de se aposentar pelo INSS, o poder aquisitivo cai significativamente e os gastos, por sua vez, aumentam, com planos de assistência médica muito mais caros e despesas com remédios, por exemplo.

Economistas apresentam outros motivos para a baixa poupança no Brasil, como o pouco conhecimento básico de finanças, a falta de excedentes para poupança, o acesso restrito a crédito e a alta taxa de reposição da aposentadoria.

"Não consigo pensar no depois. Se quero uma coisa, compro. Nunca consegui poupar", diz a analista de eventos Fádua Silva, 28, que tem renda própria desde os 18.

Casos como o de Fádua são comuns entre os que não poupam, segundo pesquisadores da área. Experimentos conduzidos por psicólogos desde os anos 1960 mostram que crianças conseguem conter a vontade de comer marshmallow quando são informadas de que ganharão mais doce se esperarem. Ou seja, para ter dinheiro no futuro, é preciso abrir mão de gastá-lo já.

Conhecer as causas não basta, porém. A educação financeira, por exemplo, tem alta correlação com poupança. Mas estudos indicam que mesmo os mais ricos e escolarizados ignoram conceitos como diversificação, juros compostos, custo-benefício e a relação entre risco e lucro.

É preciso repensar todo processo de aposentadoria, mas, para quem já aposentou, também é possível reverter esta situação. Nunca é tarde para conquistar os sonhos! Com a expectativa de vida cada vez mais alta, é possível para os aposentados realizar mais sonhos, mas isso deve ocorrer por meio da educação financeira, mudando o comportamento perante o dinheiro.

Dados: Folha de São Paulo