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Quadrilhas vendem dinheiro falso pela internet

28 de outubro de 2016

Fique atento! A invasão de notas falsas está deixando muita gente no prejuízo.

A falsificação de dinheiro existe há tempos e todos já sabem disso, porém, a novidade é que quadrilhas de jovens estão vendendo dinheiro de mentira pela internet. O dinheiro ilegal é enviado pelo correio. Só este ano, o Banco Central já recolheu 350 mil notas falsas.

Há quase um mês um engenheiro colocou um celular à venda pela internet. Pelas imagens do circuito de segurança, foi identificado que os compradores são dois jovens, bem vestidos e parecem ser estudantes. Eles pegam o aparelho, entregam o dinheiro e vão embora. Só que foi um mau negócio para o engenheiro.

“Na hora do pagamento, ele me entregou 23 notas de R$ 100. Na hora de conferir, eu identifiquei que não tinha aquela asperidade nas notas. Até falei: ‘Ó, vou conferir com um comerciante aqui essas notas’, pensando que ele ia saber identificar. Infelizmente, não aconteceu isso. Acabou que as notas eram falsas e eu fiquei no prejuízo”, lamentou-se o engenheiro.

Tem dinheiro falso para todo lado, e muito. Minas Gerais é o terceiro estado do país com o maior volume de notas falsificadas retidas, depois de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas o Ceará surpreendeu neste ano: passou do décimo segundo lugar para o quarto no ranking do Banco Central.

E o que tem chamado a atenção da Polícia Federal é o perfil desses falsificadores. Geralmente, são jovens, de classe média com acesso a tecnologia avançada. A ousadia é tanta que essas notas falsas são negociadas em redes sociais, sites de compras e até páginas deles mesmos.
“São jovens querendo um acesso fácil a dinheiro, mesmo os que não precisam. Eles querem demonstrar para os amigos ou gerar um status social ali que eles não têm”, explicou o delegado Igor Cedrola, da Polícia Federal.

Em uma página são oferecidas notas de R$ 2,00 por R$ 0,75 cada uma. O falsificador exige pedido mínimo e até dá orientações sobre como repassar o dinheiro falso. Nas redes sociais, tem tabela de valores. E a encomenda vai pelo correio. Tem muita gente interessada nas ofertas.
“Nesses perfis que a gente vai investigando, alguém comentou o seguinte: se a cédula é tão boa, por que você mesmo não usa? Por que você tem que vender? Mas não é assim. Não é. A cédula, é impossível chegar à qualidade da cédula oficial”, explicou o delegado Igor Cedrola.

Segundo a Polícia Federal, as falsificações, muitas vezes, são feitas com impressoras simples, mas confundem bastante. Notas de R$ 100, por exemplo, têm até o holograma. O Banco Central tem um aplicativo que pode ajudar a identificar as fraudes. Ele não reconhece se a cédula é falsa, mas mostra os elementos de segurança que as originais têm.

“A marca d'água por exemplo: quando você usa o aplicativo e clica na cédula, aparece, de forma projetada, a marca d’água presente na denominação de R$ 10, que é uma arara.  Então, o cidadão sabe que nessa área da cédula tem que ter uma marca d’água nesse formato”, explicou o gerente técnico de Meio Circulante do Banco Central, Giovani José Resende.
Além da marca d´água, a textura do papel da cédula é diferente, é mais áspera que o comum e tem autorrelevo. Nas notas de R$ 10 e de R$ 20 os números mudam de cor ao movimentar a cédula; as de R$ 50 e de R$ 100 têm uma faixa holográfica no cantinho. E todas as notas têm um fio de segurança.

 “Não há nada que se faça na internet que não deixe rastro, entendeu? Isso é que é importante, que eles não têm ideia, mas é assim que funciona. Pode até demorar, mas vai chegar”, concluiu o delegado Igor Cedrola.

Quem falsifica dinheiro, compra ou repassa essas notas falsas comete crime. E pode pegar até 12 anos de cadeia.

Fonte: G1 - Bom dia Brasil