44% sentem vergonha por estarem devendo, 40% têm dificuldade para dormir e 16% não se concentram no trabalho;
três em cada dez devedores ouvem comentários de que gastam de mais.
Não é só o bolso que sai prejudicado quando o consumidor deixa de pagar as contas. Dívidas em excesso também podem ocasionar uma série de problemas emocionais e físicos, como ansiedade, angústia, alterações no apetite, dificuldades no relacionamento pessoal e até para pegar no sono. A conclusão é de um levantamento nacional realizado apenas com consumidores que têm contas em atraso há mais de 90 dias pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
De acordo com o levantamento, dois em cada três (65,6%) inadimplentes se sentem deprimidos, tristes e desanimados por estarem devendo e 16,8% reconhecem que por não conseguirem pagar as contas, passaram a descontar a ansiedade em algum vício, como cigarro, comida ou álcool, sobretudo as pessoas das classes C, D e E (17,5%).
A pesquisa revela que em muitos casos a inadimplência altera negativamente o estado emocional dos consumidores, atingindo até mesmo a vida profissional e a saúde dos entrevistados. Depois que entraram na lista de devedores, seis em cada dez (57,8%) inadimplentes admitem que ficaram com a autoestima mais baixa. Outros sentimentos que a maioria dos inadimplentes passaram a desenvolver em algum grau foram a insegurança em não conseguir pagar as dívidas (69,6%), angústia (61,8%), ansiedade (59,8%) e estresse (57,6%). Quatro em cada dez inadimplentes (43,9%) sentem-se envergonhados perante a família e amigos por estarem nessa situação e 42,5% demonstram um alto grau de preocupação com as dívidas.
47% dos inadimplentes ficam irritados facilmente e 40% sofrem de insônia.
Da mesma forma, o humor de boa parte dos entrevistados é impactado pelo endividamento, causando abalos na vida social. Os principais efeitos incluem ficar facilmente irritado (47,2%) ou mal-humorado (45,8%), além de ter menos vontade de sair e socializar com outras pessoas (42,2%). A pesquisa também detectou que alguns devedores acabam apresentando comportamentos distintos. Enquanto uns sentem dificuldades para dormir (39,7%) e maior vontade de comer (21,4%), outros acabam desenvolvendo atitudes opostas, como perda de apetite (24,9%) e vontade fora do normal de dormir (20,6%), comprovando que as dívidas em atraso muitas vezes trazem prejuízos para o corpo e para a mente de quem está devendo.
“O estado emocional do devedor também interfere no modo como ele lida com suas finanças. Sentimentos como perda de sono, irritação, baixa autoestima e falta de concentração podem potencializar os problemas, dificultando ainda mais o processo de saída do endividamento. Uma solução para esses casos é buscar ajuda. Para lidar com as finanças, é preciso muita racionalidade e ponderação para compreender a situação das dívidas e as melhores estratégias para quitá-las”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
Também é revelado na pesquisa que as dívidas afetam o ambiente profissional e o relacionamento social e familiar: 15,9% das pessoas que têm contas em atraso afirmaram ter ficado desatentas e pouco produtivas no trabalho ou nos estudos, enquanto 12,6% têm estado mais nervosos, cometendo agressões verbais a familiares e amigos e 7,6% já partiram até mesmo para agressões físicas.
A pesquisa revela que muitos entrevistados não controlam seus gastos com lazer: 38,0% dos inadimplentes admitem perder a noção, ainda que algumas vezes, do quanto gastam com saídas a bares, restaurantes e festas, fazendo com que o orçamento fique extrapolado – índice que sobe para 48,9% entre os mais jovens.
Com tanto gasto sem planejamento, também não sobra tempo para pensar no amanhã. Seis em cada dez (66,6%) inadimplentes não têm o hábito de guardar dinheiro pensando no futuro e 80,2% deles não contam com uma poupança ou reserva financeira para realizar sonhos de consumo, como carro, viagens e casa própria.
Apesar de estarem com as contas atrasadas, 84,1% dos inadimplentes reconhecem que ter o nome limpo é um dos bens mais preciosos que uma pessoa pode ter.
Metodologia.
A pesquisa ouviu 602 consumidores inadimplentes de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro é de 4,0 pontos percentuais com margem de confiança a 95%.
Fonte: SPC Brasil
