Copa do Mundo 2026 aquece o varejo e abre oportunidades para o comércio local

A Copa do Mundo de 2026 vai muito além da paixão pelo futebol. Para o comércio, o Mundial representa uma importante janela de consumo, capaz de movimentar supermercados, bares, restaurantes, lojas de vestuário, artigos de festa, delivery, eletroeletrônicos e serviços ligados à experiência de torcer.

De acordo com levantamento da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, cerca de 99,2 milhões de consumidores pretendem ir às compras por conta da Copa do Mundo de 2026. O estudo aponta que 60% dos consumidores brasileiros pretendem adquirir produtos ou serviços relacionados ao Mundial, reforçando o impacto da competição no comportamento de compra.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo também estima impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do comércio varejista brasileiro durante o período da Copa. A projeção representa crescimento real de 6,5% em relação ao faturamento observado na edição anterior, em 2022.

Entre os setores mais beneficiados, o destaque fica para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas, que devem concentrar a maior parte da movimentação. Segundo a CNC, esse segmento pode responder por quase 70% das vendas ligadas ao Mundial, com faturamento estimado em R$ 3,97 bilhões. Na sequência, aparecem vestuário e acessórios, com previsão de R$ 803,7 milhões; artigos de uso pessoal e doméstico, incluindo eletroeletrônicos menores, com R$ 262,6 milhões; informática e comunicação, com R$ 198,5 milhões; e móveis e eletrodomésticos, com R$ 80,2 milhões.

O comportamento do torcedor ajuda a explicar esse cenário. A Copa costuma transformar os jogos em momentos de confraternização, especialmente dentro de casa. Segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil, 97% dos entrevistados pretendem assistir aos jogos de forma coletiva, principalmente com familiares e amigos. Além disso, 86% pretendem acompanhar as partidas em casa, enquanto 46% afirmam que também poderão assistir aos jogos na rua, em locais como casas de amigos e familiares, bares, restaurantes e telões.

Na prática, esse movimento fortalece a venda de produtos de consumo imediato. Entre os itens com maior intenção de compra estão bebidas não alcoólicas, citadas por 68% dos consumidores; petiscos, por 62%; carnes para churrasco, por 60%; cervejas, por 59%; camisas oficiais ou temáticas da Seleção Brasileira, por 61%; e bandeiras, cornetas e acessórios de torcida, por 42%.

Outro dado relevante é o gasto médio previsto. A pesquisa estima que cada consumidor deve gastar, em média, R$ 619,00 com produtos e serviços ligados à Copa. Entre as classes A e B, esse valor sobe para R$ 784,00. Para o comércio, isso demonstra que o período deve movimentar tanto compras planejadas quanto compras de última hora, especialmente nos dias que antecedem os jogos do Brasil.

Os horários das partidas também favorecem a dinâmica comercial. Diferente de outras edições em que jogos importantes aconteceram em pleno horário comercial, a fase de grupos da Seleção Brasileira em 2026 está concentrada em horários noturnos. O Brasil estreou em um sábado, às 19h, e ainda tem partidas marcadas para sexta-feira, às 21h30, e quarta-feira, às 19h, sempre no horário de Brasília.

Esse calendário permite que o comércio mantenha boa parte da rotina de atendimento durante o dia e aproveite o movimento pré-jogo no fim da tarde e início da noite. Mesmo em empresas que adotarem algum ajuste pontual de funcionamento, a tendência é que o impacto seja menor do que em Copas realizadas em fusos mais distantes. Para supermercados, açougues, padarias, lojas de bebidas, lojas de conveniência, bares, restaurantes, lanchonetes e delivery, os horários podem estimular compras antes das partidas e consumo durante os jogos.

Além disso, apenas cerca de um terço dos 104 jogos da Copa de 2026 acontece em dias úteis e em horário comercial. Na Copa do Catar, em 2022, essa proporção foi significativamente maior, o que gerava mais necessidade de adaptação na rotina de empresas e trabalhadores. Em 2026, a localização do Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México cria uma grade mais favorável ao consumidor brasileiro, com partidas concentradas entre tarde, noite e fim de semana.

Para os lojistas, o momento exige planejamento. A recomendação é preparar estoques, criar kits promocionais, organizar vitrines temáticas, reforçar canais digitais, divulgar condições especiais e facilitar meios de pagamento. A pesquisa da CNDL/SPC Brasil também mostra que 89% dos consumidores pretendem comprar em lojas físicas, especialmente supermercados e lojas de bairro, enquanto 67% afirmam que farão compras pela internet. Isso mostra que o consumidor deve circular entre o físico e o digital, buscando conveniência, preço e agilidade.

No caso de bares, restaurantes e lanchonetes, a transmissão dos jogos pode se tornar uma estratégia de atração de público. Já para supermercados e lojas de alimentos, o foco deve estar em produtos para confraternização, como carnes, bebidas, descartáveis, petiscos, gelo, carvão, snacks e itens de reposição rápida. Para o vestuário, a oportunidade está nas peças verdes, amarelas, azuis e brancas, além de camisas temáticas, acessórios e produtos que ajudem o consumidor a entrar no clima da torcida.

A Copa do Mundo de 2026 reforça que grandes eventos esportivos têm capacidade de movimentar diferentes cadeias do varejo. Para Colatina e região, o período representa uma oportunidade estratégica para que empresas locais ampliem vendas, fortaleçam o relacionamento com os consumidores e criem experiências de compra conectadas ao clima de união, torcida e celebração.

A CDL Colatina reforça a importância de os lojistas acompanharem o comportamento do consumidor, planejarem suas ações comerciais e aproveitarem o período da Copa como uma oportunidade de geração de movimento, fortalecimento das vendas e valorização do comércio local.

Fontes: CNDL, Agência Brasil, Nexo Jornal, CNC